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Resolução de problemas: por que essa se tornou a habilidade mais valorizada pelo RH

O HR Monitor 2026 da McKinsey aponta resolução de problemas como a habilidade mais citada por profissionais de RH. Entenda por que isso importa agora, especialmente na era da IA.
Profissional diante de uma parede repleta de problemas, representando o desafio de encontrar soluções e aplicar a resolução de problemas no ambiente de trabalho.

Quando a McKinsey perguntou a mais de 6.800 profissionais de RH e colaboradores, em dez países, qual seria a habilidade mais importante para o futuro do trabalho, a resposta mais citada não foi inteligência artificial nem análise de dados, mas sim resolução de problemas, apontada por 44% dos respondentes no HR Monitor 2026, à frente da criatividade (36%) e das competências relacionadas a dados e IA (35%).

O resultado chama atenção, pois surge justamente em um momento em que empresas de todos os setores aceleram investimentos em inteligência artificial, automação e transformação digital. Em tese, seria natural imaginar que as competências técnicas associadas a essas tecnologias liderassem as prioridades de desenvolvimento.

Mas os dados apontam para outra direção. Na prática, o avanço da IA está tornando ainda mais valiosa uma habilidade profundamente humana: a capacidade de analisar situações, interpretar contextos, formular hipóteses, avaliar alternativas e tomar decisões diante de cenários complexos.

Para profissionais de RH, treinamento e desenvolvimento, essa mudança traz uma mensagem importante. Se o objetivo é preparar pessoas para os próximos anos, desenvolver a capacidade de resolver problemas precisa deixar de ser apenas um item genérico em modelos de competências e passar a ocupar posição central nas estratégias de formação de lideranças e jovens talentos.

O dado que resume o momento do RH

O HR Monitor 2026 foi desenvolvido pela McKinsey a partir de pesquisas com aproximadamente 1.300 líderes de RH e mais de 5.500 colaboradores em organizações de diferentes setores e países.

O estudo buscou entender como a inteligência artificial está transformando o trabalho e quais competências serão mais relevantes nesse novo cenário.

Entre todas as habilidades avaliadas, a resolução de problemas aparece em primeiro lugar. O dado é relevante não apenas pelo ranking em si, mas pelo contexto.

Durante boa parte das últimas décadas, a vantagem competitiva esteve associada à capacidade de executar mais rápido. Saber usar uma ferramenta específica, dominar um software ou acumular conhecimento técnico era suficiente para diferenciar profissionais.

A chegada da IA começa a alterar essa lógica. Pela primeira vez, empresas convivem com tecnologias capazes de executar tarefas intelectuais em escala. Elaborar resumos, analisar grandes volumes de informação, produzir apresentações, redigir documentos e até sugerir decisões já podem ser atividades parcialmente automatizadas.

Nesse contexto, o valor profissional deixa de estar apenas na execução da tarefa e passa a migrar para algo mais complexo: a capacidade de definir prioridades, interpretar cenários e tomar decisões diante de situações ambíguas.

Em outras palavras, não basta mais saber fazer. É preciso saber o que fazer, por que fazer e como avaliar se o resultado faz sentido.

Talvez seja exatamente por isso que a resolução de problemas aparece à frente das próprias habilidades ligadas à IA. A ferramenta se tornou acessível, mas o julgamento continua sendo escasso.

Nos últimos anos, boa parte das discussões sobre o futuro do trabalho foi dominada por temas como automação, IA generativa, análise de dados e transformação digital. Ainda assim, quando os profissionais de RH foram convidados a indicar as competências mais estratégicas para o futuro, a habilidade mais lembrada foi justamente aquela que sustenta o uso inteligente dessas tecnologias.

O resultado não significa que a IA perdeu importância, mas sim que, à medida que a tecnologia ganha espaço, cresce também a necessidade de profissionais capazes de interpretar cenários, conectar informações e tomar decisões com critério.

A inteligência artificial pode gerar respostas em segundos, mas continua sendo responsabilidade humana definir quais perguntas fazer, validar informações, considerar contextos específicos e decidir qual caminho seguir.

A relação pouco óbvia entre avanço da IA e pensamento crítico

Existe uma percepção comum de que a inteligência artificial reduzirá a necessidade de determinadas capacidades humanas. Quando observamos os dados mais recentes, o movimento parece ser o oposto.

O Job Skills Report 2026, da Coursera, analisou dados de quase 6 milhões de profissionais vinculados a aproximadamente 7 mil organizações e identificou um crescimento expressivo na busca por competências ligadas ao pensamento crítico e à validação de informações.

Entre os destaques do relatório estão:

  • Crescimento expressivo em competências como pensamento crítico, validação de dados e resolução de problemas, todas essenciais para trabalhar com IA de forma eficiente;
  • A IA como parceira-chave na gestão e análise de dados e como copiloto criativo;
  • Julgamento humano como um mecanismo essencial de proteção.

O relatório destaca que habilidades de validação e análise crítica estão se tornando essenciais à medida que as pessoas passam a trabalhar com ferramentas capazes de automatizar partes cada vez maiores de suas atividades.

Existe uma lógica simples por trás disso: a IA generativa produz respostas com enorme fluidez, em que muitas delas são úteis, mas outras estão incompletas e podem conter erros.

Por isso, quanto mais uma organização utiliza ferramentas de IA em seus processos, maior se torna sua dependência da capacidade humana de validar resultados.

O avanço da automação não reduz a importância do pensamento crítico, ele aumenta sua importância, afinal, a IA responde, mas o profissional decide.

O novo risco não é a falta de informação, mas o excesso de confiança

Durante muitos anos, profissionais sofriam com escassez de informação. Encontrar dados confiáveis exigia tempo, pesquisa e conhecimento especializado.

A IA generativa inverteu essa lógica. Hoje, o desafio raramente é obter uma resposta, mas sim avaliar sua qualidade.

O problema é que a tecnologia não apenas responde, ela responde com confiança. Uma recomendação incorreta pode soar tão convincente quanto uma recomendação correta, uma análise incompleta pode parecer extremamente sofisticada e um dado fora de contexto pode ser apresentado de maneira plausível.

Por isso, a competência central passa a ser menos encontrar respostas e mais desenvolver critérios para avaliá-las.

Em um ambiente de trabalho cada vez mais mediado por IA, profissionais precisarão agir como validadores, intérpretes e tomadores de decisão. Não porque a tecnologia falhou, mas porque nenhuma tecnologia possui compreensão completa do contexto de negócios, dos impactos humanos ou das nuances organizacionais envolvidas nas decisões do dia a dia.

Uma competência que atravessa diferentes setores, não um jargão de RH corporativo

Outro aspecto interessante é que a valorização da resolução de problemas não aparece apenas em estudos corporativos.

Durante o RH Leadership Festival 2026, um dos principais eventos do setor no Brasil, habilidades cognitivas como pensamento crítico, planejamento, flexibilidade mental e resolução de problemas foram destacadas entre as competências que ganham relevância em um ambiente marcado pelo excesso de informações, pela constante mudança e pela aceleração tecnológica.

Ao lado dessas competências aparecem temas como:

  • Autoliderança;
  • Aprendizagem contínua;
  • Fluência digital;
  • Colaboração;
  • Desenvolvimento de relacionamentos.

Fora do universo corporativo, a mesma tendência pode ser observada em referenciais de formação profissional adotados por instituições. A recorrência do tema em contextos tão distintos reforça um ponto importante: não estamos diante de uma moda passageira do universo de RH.

Existe uma convergência crescente entre mercado, instituições de ensino e organizações públicas em torno da mesma conclusão, a de que pensar melhor está se tornando um diferencial competitivo.

Saber operar IA não é o mesmo que saber julgar o que ela entrega

Esse é um dos riscos mais relevantes para programas de desenvolvimento atuais. Muitas iniciativas de capacitação concentram esforços no ensino de ferramentas específicas, em que os participantes aprendem a escrever prompts, utilizar copilotos, automatizar tarefas e acessar novos recursos.

Tudo isso é importante, mas existe uma diferença fundamental entre operar uma tecnologia e interpretar criticamente seus resultados.

Profissionais podem se tornar excelentes usuários de ferramentas de IA sem necessariamente desenvolver a capacidade de identificar inconsistências, avaliar riscos ou perceber quando uma recomendação está desconectada da realidade do negócio.

O verdadeiro diferencial competitivo não está apenas na utilização da tecnologia, mas na capacidade de julgar a qualidade daquilo que ela produz.

Em muitos casos, os profissionais mais preparados não serão aqueles que obtiverem a resposta mais rápida, mas aqueles que conseguirem identificar quando uma resposta aparentemente correta apresenta falhas, omissões ou limitações importantes.

Essa habilidade exige raciocínio analítico, pensamento crítico, repertório e experiência e não apenas por prompts elaborados.

Por que isso é ainda mais urgente para jovens talentos

A discussão se torna particularmente relevante quando olhamos para programas de estágio e trainee. Os profissionais que estão entrando agora no mercado já cresceram em um ambiente digital, com acesso à internet, perguntas e respostas e facilidade na obtenção de informações.

Para muitos deles, utilizar ferramentas de inteligência artificial para pesquisar, organizar ideias ou produzir conteúdo já faz parte da rotina e isso é importante para o mercado.

O risco, porém, está em assumir que a familiaridade tecnológica equivale à capacidade de tomar boas decisões e de ter pensamento crítico para lidar com a tecnologia e suas facilidades.

Um jovem profissional pode dominar múltiplas ferramentas digitais e, ao mesmo tempo, apresentar dificuldade para analisar causas, validar informações ou estruturar uma tomada de decisão em cenários ambíguos.

Por isso, programas de desenvolvimento precisam incorporar intencionalmente experiências que estimulem investigação, análise crítica, construção de hipóteses e argumentação.

O desafio das organizações não é ensinar jovens talentos a acessar respostas, mas ajudá-los a entender quando confiar nelas, quando questioná-las e quando aprofundar sua investigação.

Existe uma preocupação adicional para empresas que investem em programas de estágio e trainee: historicamente, boa parte da capacidade analítica era construída ao longo da execução de tarefas mais operacionais. Pesquisar informações, consolidar dados, estruturar apresentações e produzir análises preliminares faziam parte do processo de aprendizagem profissional.

Com a IA assumindo parte dessas atividades, muitos jovens profissionais podem chegar mais rapidamente às etapas finais do trabalho sem necessariamente desenvolver as competências cognitivas construídas ao longo do caminho.

É como utilizar uma calculadora sem entender matemática. O resultado pode aparecer, mas a compreensão do processo permanece superficial.

Isso cria um desafio importante para as organizações: como garantir que a tecnologia acelere o aprendizado sem eliminar experiências fundamentais para o desenvolvimento do raciocínio analítico?

A resposta passa por programas de desenvolvimento intencionalmente desenhados para estimular investigação, tomada de decisão e resolução de problemas reais, e não apenas produtividade.

Lideranças que ensinam a pausar antes de responder

Nenhum programa de desenvolvimento será plenamente eficaz se a cultura organizacional não reforçar os comportamentos desejados. E é nesse ponto que as lideranças exercem papel decisivo, afinal, são esses que influenciam a forma como suas equipes pensam e tomam decisões todos os dias.

Quando um gestor reage imediatamente a qualquer desafio com respostas prontas, transmite a mensagem de que velocidade é mais importante do que análise.

Por outro lado, quando demonstra curiosidade, faz perguntas e incentiva investigação antes da ação, ajuda a construir uma cultura mais orientada ao pensamento crítico.

Uma pergunta simples pode fazer enorme diferença. Em vez de buscar soluções rápidas, os líderes precisam entender os problemas, instigar as causas e ir além no caminho para a solução.

E é justamente nesse espaço que se desenvolve a capacidade de resolver problemas de forma consistente.

Da constatação à prática: o que muda nos programas de desenvolvimento

Para áreas de RH e T&D, os dados de 2026 sugerem um ajuste importante na forma de desenhar programas de desenvolvimento.

Se a resolução de problemas se tornou uma das competências mais valorizadas pelas organizações, ela não pode aparecer apenas como tópico complementar dentro de treinamentos mais amplos.

É necessário colocá-la no centro da experiência de aprendizagem. Isso significa criar iniciativas que combinem desafios reais, prática contínua, reflexão estruturada, feedback e acompanhamento da aplicação no trabalho.

Mais do que ensinar modelos ou frameworks, o objetivo passa a ser desenvolver a capacidade de analisar situações complexas e transformar informação em ação.

Na Across, essa visão orienta o desenho de programas voltados tanto para lideranças quanto para jovens talentos. Os dados de mercado servem como referência para construir experiências de desenvolvimento que conectam teoria, prática e transferência para o contexto real de trabalho.

Porque, assim como qualquer outra competência estratégica, a resolução de problemas só gera impacto quando deixa o ambiente de treinamento e passa a fazer parte das decisões do dia a dia.

O que fica: pensar bem virou vantagem competitiva

Durante décadas, empresas investiram para tornar o trabalho mais rápido e a inteligência artificial acelerou esse movimento em uma escala sem precedentes.

Mas velocidade, sozinha, não garante melhores decisões. Os dados apresentados pelo HR Monitor 2026, pela Coursera e por diferentes fóruns de liderança apontam para uma conclusão comum: à medida que respostas se tornam mais acessíveis, cresce o valor de quem consegue interpretá-las com qualidade, avaliar contextos complexos e transformar informação em decisão.

A resolução de problemas deixou de ser apenas mais uma competência listada em descrições de cargo. Ela passou a representar uma capacidade estratégica para navegar em um mundo em que tecnologia e julgamento humano precisam atuar lado a lado.

Empresas que compreenderem essa mudança e investirem de forma estruturada no desenvolvimento dessa competência tendem a formar profissionais mais preparados para lidar com ambiguidade, inovação e transformação constante.

Se sua organização busca desenvolver, de forma estruturada, a capacidade de análise e resolução de problemas em lideranças e jovens talentos, fale com nossos especialistas e conheça como a Across transforma tendências do mercado em experiências de desenvolvimento conectadas aos desafios reais das empresas.

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